MEU BAIRRO, MEU AMBIENTE

É fato que o bairro onde você mora, mesmo com toda a precariedade, é um local de possibilidades, que possui inúmeras formas de se conectar com seus moradores porque possui uma história.

Infelizmente, devido a correria do dia a dia, nós quase sempre não percebemos o quanto nosso lugar é lindo, não percebemos suas potencialidades, seus espaços, sua voz, seu clima… e muitas vezes até replicamos as coisas negativas que dizem sobre ele.

Nesse sentido, a proposta do projeto “Meu Bairro Meu Ambiente” é nos ajudar a caminharmos por uma estrada de (re)descobertas, trilhando caminhos de surpresas, (re)visitando o nosso passado e (re)inventando o nosso futuro.

É importante entendermos quem nós somos frente a esse emaranhado de informações desencontradas sobre a nossa própria história.

O projeto nos coloca frente ao desafio de analisarmos o nosso papel enquanto moradores imersos nos desafios diários de (sobre)viver em uma região periférica com tantos direitos negados.

A ideia é nos incentivar a protagonizarmos as ações de transformação do nosso bairro, num primeiro momento treinando o nosso olhar para percebermos os detalhes, tanto do que é bom e precisa ser promovido, quanto do que precisa ser transformado.

Num segundo momento, pensando táticas, propondo e experimentando novos processos coletivos para colocar em prática esse processo de transformação.

Acreditamos que, fazendo esse movimento continuamente, num futuro próximo, estaremos todos juntos – a população, o poder público e a iniciativa privada – executando ações que melhorem a qualidade de vida no bairro.

COMO FUNCIONA NA PRÁTICA?

20 jovens do bairro são selecionados para participar de formações em fotografia, meio ambiente urbano, cidadania e jornalismo comunitário, para que, munidos desse conhecimento possam dar início às primeiras ações do projeto, cujo objetivo é melhorar a qualidade de vida no bairro.

Esses jovens, a partir desse novo olhar, despertado durante as oficinas, vão para as ruas, num trabalho de campo para (re)conhecer a história do bairro, identificando também o que precisa ser promovido e o que precisa ser transformado. Em seguida voltam para a base para uma troca de percepções. Esse é um movimento que se repete frequentemente. Prática e diálogo.

Rodas de conversa semanais são produzidas, onde parceiros são convidados para nos ajudar a entender alguns conceitos, e a partir daí táticas são pensadas coletivamente afim de desenvolver ações que promovam a melhoria da qualidade de vida da população.

Os jovens participantes pensam e preparam materiais que possibilitem, de forma simples e agradável, apresentar para a população do bairro todo o conteúdo produzido durante o projeto. Em Morro Agudo, por exemplo, foram produzidos um folder com informações sobre o bairro, uma exposição fotográfica sobre o bairro e este site, que ajuda a propagar a metodologia utilizada durante o protejo para que outros bairros possam replicar.

Como um dos objetivos é também que a população participe das decisões sobre as próximas ações, um referendo é realizado para que a população decida o que há no bairro de mais simbólico, e também, do que precisam ser transformado, quais são as prioridades.

Então outras pessoas do bairro são convidadas a fazer parte dos GTs formados para executar as ações continuadas.

OS RESULTADOS

Acreditamos que o maior resultado do projeto foi o nosso entendimento sobre o que causava a oscilação da auto-estima da população de Morro Agudo, permitindo que nós pudéssemos desenvolver as nossas táticas a partir desse olhar.

Por exemplo, percebemos que, quando algo positivo sobre o bairro era noticiado na TV, jornal ou rádio, os moradores sentiam orgulho, sendo assim, nossa meta era fazer com que a imprensa noticiasse coisas boas sobre o bairro, o que não é uma tarefa fácil, visto que historicamente a imprensa hegemônica produz uma narrativa depreciativa sobre nosso território, então nós mesmos começamos a criar essa narrativa positiva sobre a comunidade nos nossos canais e articulamos um programa de rádio, na rádio “Roquette Pinto – 94.1FM”, onde nosso foco foi promover nossa região.

Um outro exemplo, que também percebemos que aumentava a auto estima dos moradores, era quando pessoas de outras localidades circulavam pelo bairro. Sendo assim, criamos situações para trazer o máximo de pessoas para o bairro, dentre elas artistas, intelectuais, representantes de grandes empresas, etc.

Baseados nessa tática:

  • produzimos o evento Conexidade, em Morro Agudo, em parceria com a Oi Futuro e a Rio de Negócios;
  • recebemos a deputada federal Jandira Feghali;
  • recebemos o autor Emanuel Jacobina, da Rede Globo;
  • produzimos o evento Arte em Movimento, em parceria com a Nextel, o gropo OPNI e o coletivo Do Lado de Cá, de São Paulo;
  • realizamos encontros diversos com os doutores Nivea Andrade e João Guerreiro, da UFF e do IFRJ;
  • recebemos o rapper mexicano Bocafloja;
  • recebemos diretores da Nextel;
  • recebemos os secretários municipais Alex Castellar e Fernando Cid;
  • firmamos parceria com a GloboSat criando oportunidades para que os participantes do projeto interagissem com o cotidiano da empresa;
  • entre muitos outros movimentos.

OS NÚMEROS DO PROJETO

10

novos parceiros institucionais

40

pessoas atingidas diretamente

66

atividades realizadas em seis meses

30.000

pessoas atingidas indiretamente

O FUTURO

O “Meu Bairro, Meu Ambiente” é um projeto continuado de longo prazo que tem o objetivo melhorar a qualidade de vida nos bairros de periferia a partir da mudança de comportamento dos próprios moradores, que através de uma análise do território, conhecem sua história e a de seus personagens, promovem seus símbolos e buscam soluções para os seus problemas, desenvolvendo um olhar mais afetivo pelo lugar em que vivem, consequentemente planejando coletivamente o desenvolvimento do local.

Nossos próximos passos são:

  • retomar as ações do GTs;
  • reiniciar o ciclo de análises;
  • articular as ações com os parceiros;
  • interagir com moradores.

Esperamos que este projeto, daqui pra frente, sirva de modelo para que outros grupos transformem a qualidade de vida em seus bairros, e consigamos então tecer uma rede para troca de tecnologias sociais.